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TRÂNSITO EM 2026: BRASIL AINDA ENFRENTA O DESAFIO DE TRANSFORMAR MOBILIDADE EM SEGURANÇA

Redação Fenasdetran89 visualizações
TRÂNSITO EM 2026: BRASIL AINDA ENFRENTA O DESAFIO DE TRANSFORMAR MOBILIDADE EM SEGURANÇA
Especialista Carlos Félix defende integração entre infraestrutura, veículos, comportamento humano e gestão pública para reduzir mortes e a gravidade dos sinistros Por Marcos Antônio O trânsito brasileiro chega a 2026 diante de um desafio que vai muito além da fluidez nas ruas e rodovias: reduzir mortes, prevenir sinistros e construir um sistema de mobilidade capaz de proteger todos os seus usuários. Os dados disponíveis neste ano mostram que o problema continua exigindo atenção permanente do poder público, dos órgãos de trânsito e da sociedade. O Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), mantido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), já disponibiliza registros de 2026 até abril, com informações sobre sinistros, localidades, tipos de veículos e vítimas. A própria Senatran mantém atualizações mensais da base. (Serviços e Informações do Brasil) Mas os números nacionais precisam ser analisados com cautela. Um estudo divulgado em 2026 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária identificou lacunas na completude do RENAEST, o que dificulta comparações estatísticas mais amplas entre os estados. Por isso, especialistas defendem que o país avance não apenas na redução dos sinistros, mas também na qualidade, integração e padronização das informações. (ONSV) Carlos Félix: segurança viária depende de todo o sistema É justamente nesse ponto que ganha força a análise do professor Carlos José Antônio Kümmel Félix, doutor em Mobilidade e especialista em segurança e mobilidade urbana. Em manifestação publicada em agosto de 2026, ao analisar os números do Rio Grande do Sul, Félix chamou atenção para a necessidade de olhar o trânsito de maneira sistêmica. “Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública.” Segundo o especialista, quando um desses componentes apresenta falhas, aumenta a possibilidade de ocorrência de sinistros e, principalmente, a gravidade de suas consequências. A avaliação foi feita diante dos números registrados no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2026. (GZH) Entre janeiro e junho, o estado registrou 734 ocorrências com morte e 819 pessoas mortas. Embora tenha ocorrido uma redução de 2,5% no número de ocorrências fatais em relação ao mesmo período de 2025, Félix avaliou que a queda ainda não é suficiente para afirmar que existe uma mudança consistente no cenário da segurança viária. (GZH) A análise do professor está relacionada ao conceito de Sistema Seguro, segundo o qual o trânsito deve ser planejado levando em consideração que erros humanos podem ocorrer. A responsabilidade do sistema, portanto, é criar condições para que um erro não necessariamente resulte em morte ou lesão grave. Infraestrutura, velocidade e fiscalização A discussão ganha ainda mais importância quando se observam os fatores associados aos sinistros. No Rio Grande do Sul, por exemplo, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens proibidas aparecem entre os fatores apontados pelas autoridades para os acidentes fatais. A resposta, entretanto, não pode ser exclusivamente baseada na punição do condutor. Para Carlos Félix, infraestrutura, sinalização, fiscalização, condições dos veículos e comportamento precisam atuar conjuntamente. (GZH) Essa concepção também está presente na política nacional de segurança viária. Em maio de 2026, o Ministério dos Transportes lançou, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, o Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (Cnest), criado para produzir estudos, diagnósticos e relatórios técnicos destinados à melhoria da segurança viária. O Cnest está integrado ao PNATRANS e trabalha com os conceitos internacionais de Visão Zero e Sistema Seguro, que consideram que nenhuma morte no trânsito é aceitável e que o sistema deve ser projetado para reduzir as consequências dos erros humanos. (Paho) Álcool continua entre os principais desafios Outro dado relevante de 2026 vem das rodovias federais. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, entre janeiro e julho deste ano, 2.080 sinistros de trânsito tiveram a ingestão de álcool como principal causa. Esses episódios provocaram 127 mortes e 1.754 feridos. Apesar dos números ainda elevados, houve redução em relação ao mesmo período de 2025: os sinistros relacionados ao álcool caíram de 2.127 para 2.080, as mortes de 136 para 127 e os feridos de 1.853 para 1.754. (Serviços e Informações do Brasil) A PRF realizou, no mesmo período, mais de 2,25 milhões de testes de alcoolemia, reforçando a fiscalização nas rodovias federais. (Serviços e Informações do Brasil) Os números demonstram que fiscalização e educação continuam sendo ferramentas fundamentais, mas também reforçam a necessidade de políticas permanentes para impedir que álcool e direção continuem associados a mortes evitáveis. Motocicletas e o novo perfil da mobilidade Outro desafio de 2026 está relacionado ao crescimento e à presença cada vez maior das motocicletas na mobilidade urbana e nas atividades profissionais. O debate sobre motociclistas ganhou força também em grandes centros urbanos. Em São Paulo, por exemplo, a discussão sobre as chamadas faixas azuis, destinadas à circulação de motocicletas, voltou ao centro das políticas de mobilidade em 2026. A discussão demonstra que a mobilidade contemporânea exige soluções específicas para diferentes usuários. Motociclistas, pedestres, ciclistas, passageiros do transporte coletivo e motoristas enfrentam riscos diferentes e precisam ser considerados na elaboração das políticas públicas. O desafio brasileiro é transformar dados em prevenção Em julho de 2026, o Tribunal de Contas da União também apontou dificuldades na execução e no acompanhamento do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, o PNATRANS. Entre as determinações estão a melhoria da gestão de riscos e a padronização nacional dos dados sobre sinistros de trânsito. (Portal TCU) A questão é fundamental: sem dados confiáveis e padronizados, torna-se mais difícil saber onde estão os maiores riscos, quais grupos estão mais vulneráveis e quais medidas produzem resultados. É justamente por isso que a análise de Carlos Félix ganha relevância. O trânsito não pode ser tratado apenas depois que o sinistro acontece. É necessário identificar riscos, melhorar a infraestrutura, fiscalizar, educar, aprimorar os veículos e organizar as cidades para reduzir a possibilidade de que um erro humano termine em tragédia. Perspectivas para o restante de 2026 O cenário deste ano indica que o Brasil ainda precisa avançar na construção de uma política integrada de segurança viária. Os dados disponíveis até agora mostram situações distintas entre os estados e entre os diferentes tipos de vias. Ao mesmo tempo em que algumas regiões apresentam redução em determinados indicadores, outras continuam convivendo com números elevados de mortes. O grande desafio para os próximos meses é transformar a informação em ação: mapear os pontos críticos, proteger os usuários mais vulneráveis, combater álcool e direção, controlar velocidades incompatíveis, melhorar a infraestrutura e integrar os diferentes órgãos responsáveis pela mobilidade. Para a Fenasdetran, através do presidente Mário Conceição, o trabalho desenvolvido no Brasil, apesar de muito valoroso, ainda precisa de adaptaçoes e tecnologias, sem esquecer da questão humana, já citei em centenas de entrevistas inclusive no portal Fenasdetran, que é mais do que necessário, o uso de agentes humanos em todas as cidades e estradas do Brasil, já passou da hora, vou buscar em uma campanha mais nacionalizada, para o alcance ser maior atingindo todos os órgãos e pessoas responsáveis, para salvarmos mais vidas e diminuirmos sequelas e dores no Brasil. Mário fala também da mensagem feita por dr. Carlos Félix sintetiza esse novo olhar: não basta responsabilizar o indivíduo. É necessário construir um sistema de trânsito que considere as limitações humanas e seja capaz de evitar que um erro se transforme em uma morte. Em 2026, portanto, a discussão sobre trânsito precisa deixar de ser apenas sobre carros, congestionamentos e multas. É uma discussão sobre vidas, planejamento urbano, saúde pública, tecnologia, responsabilidade coletiva e o direito de ir e vir com segurança. Mário Conceição corrobora sobre os dados e as manifestações dos especialistas, o verdadeiro indicador de eficiência de um sistema de mobilidade não é apenas a velocidade com que os veículos circulam — é quantas pessoas conseguem chegar vivas ao seu destino.
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